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Negócio e Empreendedorismo Dia 17/01/2020 12h09 Por • Alexandre Quinguri

MATANDO COACHS

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Coaching é uma forma de desenvolvimento na qual alguém denominado coach, ajuda um aprendiz ou cliente a adquirir um objetivo pessoal ou profissional específico através de treinamento e orientação.

 

Nos últimos anos tem se visto a emancipação de novos serviços e produtos, o termo Coach passou a ganhar notoriedade nos últimos 5 anos, principalmente. Criou-se uma verdadeira indústria do “empreendedorismo de palco”, é comum ver pessoas que nunca implementaram um negócio de verdade, realizando palestras, apoderando-se de nomenclaturas em inglês e expressões técnicas como mindset, millennials, networking, coworking, deal, business, dead-line, salesman Hunter... - para impressionar, e nenhum negócio real para mostrar, quando mostram, referenciam de um terceiro qualquer, desde que bem sucedido. Citam grandes negócios que começaram em garagens e hoje rendem milhões, não atentando para o lugar, tempo, oportunidades, patrocínios e o sistema jurídico legal em que se encontravam.

 


  • Não pretendendo generalizar, faz-se necessário realçar aqui, os poucos coaches que fazem um excelente trabalho, impulsionando e motivando, negócios e pessoas mundo afora, estes representam a minoria no “universo coach” e merecem todo meu respeito e admiração.

 


O empreendedorismo se enxugou a slideshow e exposição de vídeos nas redes sociais. As pessoas compram o que elas querem ouvir. É nesse momento que o empreendedor de palco cresce. O empreendedorismo de quem, repetindo, nunca empreendeu, e se empreendeu não vimos o eclodir do seu trabalho conforme eles garantem que os nossos vão eclodir - mas sabe te ensinar como conquistar sucesso, fama e dinheiro. Num breve resumo disponível em Fabrica 3, denominado “Não” preciso de um coach” destaca-se: Não existe almoço grátis. Não existe caminho mais fácil. Empreender é difícil, envolve coragem, comprometimento e muitas noites sem dormir, dor no estômago e a sensação de que tudo, de uma hora para a outra, pode desabar. E é exatamente isso que, não te matando, te tornará mais forte.

 

Em Angola não tem sido diferente, o fenômeno “empreendedores de palco” chegou tarde, mas, seguindo os mesmos critérios dos demais coaches existentes, os enchedores*. Inflamam as redes sociais, principalmente facebook e linkedin, procurando captar demanda para seus serviços - se podemos chamar de serviço, reproduzindo falas padronizadas mediante chavões técnicos, mostrando que pra empreender basta ter uma boa ideia acompanhando de uma boa consultoria, ter foco, saber definir prioridades, conhecer nossos pontos fracos e fortes, coisas idênticas a que nossas mães nos ensinaram na adolescência. Muitos são analfabetos estatísticos, dispensam apresentação de dados e factos científicos devidamente referenciados, não fazem pesquisas de mercado ou qualquer outra de campo para sustentar seus argumentos.

 

Mediante a estrutura socioeconômica do país, não trazem a tona que ocupamos uma posição desagradável no ranking dos países com facilidade para fazer negócios, não focam no nosso sistema de logística, desconhecem a Luibor* e como ela afeta as demais taxas existentes no mercado e o sistema de credito, não falam que parte das nossas receitas estará destinada ao pagamento de altas taxas impostos, não falam do sistema trabalhista nacional, etc. – Pra eles, o importante é ter sempre uma boa ideia, um bom diferencial e “blá, blá, bla”, jogam ao mercado pessoas totalmente despreparadas, encontrando uma dura realidade, diferente daquela fabula que viu em palestras – vendo seus negócios e/ou investimentos quebrando a velocidade da luz.

 

O mercado é um jogo duro, o capitalismo é selvagem, a concorrência não dorme, só os fortes sobrevivem, o consumidor é impiedoso, se o teu produto não o satisfaz, rapidamente te retira de cena não demandando os mesmos – independentemente de teres uma boa ideia e conhecer seus pontos forte/fracos como o Coach frisou. Estes romantizam o empreendedorismo, fazem parecer bonito, vendem falsas esperanças a quem deposita total confiança nas suas falas.

 


Faz-se necessário atentar para aquilo que eles não falam, para estrutura socioeconômica, dados científicos, identificação de parceiros, financiamentos, patrocínios e extrema complexidade dos mercados, principalmente em um país onde investir é difícil. Atentar principalmente para o chefe do mercado, - o consumidor, estar preparado para ser eficaz e eficiente, porque o chefe é exigente demais.

 

O ambiente dentro das universidades acaba sendo não muito diferente a dos “empreendedores do palco”, hoje temos uma sociedade cheia de graduados e graduandos em administração de empresas e gestão - gestores disso, gestores daquilo. Jogados ao desemprego e sem saber como começar um empreendimento/negócio, porque encontrou uma realidade totalmente diferente daquilo que lhe foi ensinado.

 

*Enchedores – Gíria angolana para identificar faladores, pessoas que falam muito e fazem pouco, charlatões.

*Luibor - Taxa básica de juros angolana, serve de instrumento orientador da política monetária e referência para as taxas praticadas pelos bancos comerciais.


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