INFLAÇÃO E DEFLAÇÃO — ENTENDA ESTES TERMOS E O QUANTO ELES AFECTAM A SUA VIDA FINANCEIRA.

Nos últimos anos os angolanos vêm enfrentando uma subida generalizada nos preços que compõem a cesta básica (bens primários) e não só, produtos tidos como secundários ou terciários registaram a mesma dinâmica. Tanto a crise económica que o país vem atravessando quanto o novo coronavírus configuram-se como os principais causadores da drástica inflação que o país vive actualmente.

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INFLAÇÃO E DEFLAÇÃO — ENTENDA ESTES TERMOS E O QUANTO ELES AFECTAM A SUA VIDA FINANCEIRA.
Poupança e Investimento

25/09/2020 às 09:09 | Vizualizações 443

INFLAÇÃO

 

Nos últimos anos os angolanos vêm enfrentando uma subida generalizada nos preços que compõem a cesta básica (bens primários) e não só, produtos tidos como secundários ou terciários registaram a mesma dinâmica. Tanto a crise económica que o país vem atravessando quanto o novo coronavírus configuram-se como os principais causadores da drástica inflação que o país vive actualmente.

 

A Inflação é definida como uma situação em que há um aumento contínuo e generalizado de preços. Essas características de generalidade e continuidade fazem com que a inflação seja um processo e não uma ocorrência passageira.

 

Assim, se os preços dos bens se elevassem apenas durante um curto período de tempo, estabilizando-se em seguida, não seria caracterizado um processo inflacionário, mas apenas um ajuste da economia. Uma economia é inflacionária quando os preços aumentam continuamente e por um longo período de tempo.

 

Resumidamente, é o aumento dos preços de bens e serviços. Ela implica diminuição do poder de compra da moeda.

 

O que caracteriza a inflação?

 

O factor que caracteriza a inflação é o facto do aumento de preços se estender a todos os bens e serviços produzidos pela economia. Assim, se apenas os bens produzidos por um determinado sector tivessem seus preços elevados, não teríamos inflação.

 

Imaginemos um país onde não haja inflação. Se em um ano as condições climáticas não são muito favoráveis e as safras agrícolas são menores, temos um aumento nos preços dos alimentos. Entretanto, se no ano seguinte a situação melhorar, pela obtenção de safras normais, teremos caracterizado apenas um aumento de preços de pouca duração e circunscrito a um sector específico.

 

Em todos os países do mundo, a inflação é medida através de números-índices, que são fórmulas matemáticas ou estatísticas que dizem qual a percentagem de aumento nos preços dos bens e serviços num determinado período de tempo- Em Angola, é responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística calcular a inflação a nível nacional.

 

CAUSAS DA INFLAÇÃO

 

A inflação pode ter várias causas, que podem ser agrupadas em:

 

1. Pressões de demanda: é causada pelo acréscimo dos meios de pagamento, que não é acompanhado pelo crescimento da produção.

 

2. Pressões de custos: tem suas causas nas condições de oferta de bens e serviços da economia. Assim, a demanda permanece inalterada, enquanto aumentam os custos de produção, que são repassados para os preços das mercadorias

 

3. Expectativas de inflação: processo inflacionário gerado pelo congelamento dos preços por parte do governo. Inflação de expectativas — consequência de um aumento de preços provocados pelas projeções dos agentes sobre a inflação.

 

CONSEQUÊNCIAS DA INFLAÇÃO

 

Algumas pessoas poderiam pensar que a inflação não é um problema muito grave, uma vez que, tarde ou cedo a economia acaba por se ajustar a esse processo.

 

As coisas não são assim tão simples, pois, para um país como Angola, que importa quase tudo que consome, qualquer aumento desmedido dos preços afectaria (e tem afectado) negativamente a vida dos cidadãos, principalmente no curto e médio prazo.

 

Outro problema gerado pela inflação, e talvez o mais grave do ponto de vista social é o efeito sobre a distribuição de renda. Num processo inflacionário os trabalhadores observam seus salários perdendo o poder de compra.

 

Outro importante efeito da inflação é sentido sobre as expectativas dos empresários. Com a inflação e as medidas de política económica de combate a ela, como, por exemplo, redução de crédito e controle de preços, os lucros dos empresários tendem a se tornar instáveis, facto que não lhes permite uma perspectiva segura a longo prazo.

 

A inflação gera distintas incertezas na economia, desestimulando o investimento e, assim, prejudicando o crescimento económico. Os preços relativos ficam distorcidos, gerando várias ineficiências na economia.

 

As pessoas e as empresas perdem noção dos preços relativos e, assim, fica difícil avaliar se algo está barato ou caro.

 

A inflação afecta particularmente as camadas menos favorecidas da população, pois essas têm menos acesso a instrumentos financeiros para se defender da inflação.

 

Inflação mais alta também aumenta o custo da dívida pública, pois as taxas de juros da dívida pública têm de compensar não só o efeito da inflação, mas também têm de incluir um prémio de risco para compensar as incertezas associadas com a inflação mais alta.

 

DEFLAÇÃO — Causas e consequências

 

Queda persistente do nível geral de preços, o oposto da inflação. Caracteriza-se pela baixa oferta de moeda em relação à oferta de bens e serviços ou pela queda na demanda agregada (associada, por exemplo, a um maior índice de poupança).

 

Esse excesso de oferta de bens, ou carência de demanda aumenta o índice de capacidade ociosa na economia e causa um acirramento da concorrência entre os produtos, que disputam os poucos consumidores disponíveis, o que leva a uma rápida queda nos preços.

 

Cai o investimento e, consequentemente, há queda no produto real e aumento no desemprego. A deflação, assim, pode acabar provocando depressão (como a que ocorreu em 1929 – 1933 nos Estados Unidos).

 

Normalmente, combate-se a deflação através de um aumento nos gastos públicos e um maior grau de endividamento público, como forma de aumentar a demanda agregada. Comparado a inflação, a deflação é mais rara de acontecer.

 

COMO A INFLAÇÃO/DEFLAÇÃO PODEM AFECTAR A SUA VIDA FINANCEIRA

 

Tanto a inflação quanto a deflação, causam enormes prejuízos a nossa vida financeira.

 

Para que haja saúde financeira é necessário que haja equilíbrio, é importante que a economia esteja equilibrada, sem “altos e constantes incides” de inflação ou deflação.

 

Factores que respectivamente podem levar os agentes económicos a:

 

1. Poupar menos do que desejam em função da iminência de riscos;

2. Consumir menos em função da desvalorização da moeda;

3. Perder o emprego e contrair dívidas caso não haver um fundo de reserva emergencial;

4. Evitar fazer determinados investimentos em função da imprevisibilidade económica;

5. No caso da deflação, o poder de compra aumenta, porém, se essa persistir poderá se verificar índices de desempregos elevados em função da queda nos investimentos provocados pela deflação.

 

Tempos de crises também são tempos de oportunidades, porém, tempos que exigir maior rigor na gestão de nossa vida financeira. A qualquer momento, podemos estar diante de períodos inflacionários ou deflacionários.

 

Por isto, é indispensável conhecermos tais fenómenos e saber como se posicionar diante deles.

 

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